sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Edital da 1ª Mostra de Teatro Comunitário

I - Apresentação

A 1ª Mostra de Teatro Comunitário, realizada pelo NUPEAC (Núcleo de Pesquisa e Ação em Arte Comunitária) fomenta a difusão de produções teatrais oriundas de coletivos que desenvolvem pesquisa de teatro popular com enfoque comunitário. A Mostra será realizada de 10 a 14 de novembro de 2010, na cidade de Caconde, SP.

II - Objetivos


Desenvolver, por meio de uma agenda pública, um calendário de apresentações teatrais gratuitas para a cidade de Caconde;
Oportunizar o fortalecimento de projetos voltados para as artes cênicas com enfoque na pesquisa comunitária e em produções colaborativas;
Fomentar o acesso e à produção cênica, como forma de ampliação sociocultural por meio de ações que abordam a cultura popular de forma crítica, reflexiva e transformadora;

Divulgar e tornar público os resultados das atividades desenvolvidas pelos coletivos artísticos a partir de uma reflexão sobre a solidariedade entre os coletivos, por meio de montagens teatrais;

Promover um intercâmbio entre os coletivos de teatro popular em sua diversidade.

III – Das inscrições
1 - As inscrições para a 1ª Mostra de Teatro Comunitário serão efetuadas mediante preenchimento da ficha de inscrição no período de 31/06/2010 a 31/08/2010.

2 – A ficha de inscrição deve ser solicitada e enviada para o seguinte email: mostradeteatrocomunitário@gmail.com.

3 - Mais informações poderão ser obtidas pelos telefones: (11) 8518.7920 ou (19) 8233.8645.

4 - A comissão organizadora da Mostra não se responsabilizará por quaisquer problemas relacionados ao envio das inscrições pelo correio eletrônico.

5 - Os menores de 18 anos, para se apresentarem nas Mostras, deverão juntar, no ato da inscrição, autorização dos pais ou responsáveis com cópia simples da cédula de identidade.

6– A inscrição do participante com idade inferior a 18 anos será assinada por seu representante legal (pais ou responsável).

7 - Depois de efetivada a inscrição, não poderá ser acrescentado nenhum ator ou técnico além dos relacionados na respectiva ficha de inscrição.

8 - Quaisquer alterações nas fichas de inscrição dos espetáculos selecionados devem ser comunicadas oficialmente com, no mínimo, 10 (dez) dias de antecedência da apresentação.

9 – O envio da inscrição implicará na concordância e aceitação de todas as condições do presente regulamento, por parte do grupo e/ou participantes.


IV– Das apresentações

1. O cronograma das apresentações será divulgado a partir de 11/10/2010.

2. Após cada apresentação da 1ª Mostra de Teatro Comunitário, haverá um debate para troca de experiência.

3. A Mostra terá entrada franca e os ingressos estarão disponíveis nas bilheterias do local nos dias das respectivas apresentações.

4. As apresentações dos grupos selecionados para a 1ª Mostra de Teatro Comunitário deverão ter início pontualmente às 20 horas.

5. Os grupos selecionados são responsáveis por todos os elementos cênicos necessários à apresentação do respectivo espetáculo teatral.

6. A comissão organizadora da 1ª Mostra de Teatro Comunitário não se responsabiliza em providenciar e/ou fornecer quaisquer elemento cenográfico, adereço cênico e/ou figurino.

7. Cada participante ou grupo deverá estar nas dependências do local das apresentações em tempo hábil para efetuar a montagem de luz, som e cenário, além de marcação de palco, a fim de não comprometer o horário de início da apresentação.

V – Da seleção

1. Os grupos selecionados pela comissão avaliadora e os grupos convidados pela 1ª Mostra de Teatro Comunitário, deverão indicar na ficha de inscrição o nome do representante legal, e cópias dos documentos pessoais (RG e CPF).

2. Autorização do autor.

3. Declaração do proponente do grupo, de que conhece e aceita incondicionalmente as regras da 1ª Mostra de Teatro Comunitário, e se responsabiliza pelo cumprimento da respectiva apresentação, seguida de debate, bem como da participação coletiva no cortejo de abertura.

4. Declaração, assinada por todos os integrantes do grupo, de concessão de imagem de caráter irrevogável e irretratável, dos direitos de veiculação de imagem das ações e apresentações realizadas na 1ª Mostra de Teatro Comunitário, para sua utilização em exibições sem fins comerciais, de caráter informativo, para promoção e divulgação das atividades da Mostra.

5. A Mostra não disponibiliza quaisquer patrocínio, portanto não há cachê e verba para transportes de grupos acima de 100km, salvo sob, negociação prévia.

VI – Disposições gerais
1. Os participantes cedem os direitos de uso de imagem, sem nenhum tipo de remuneração, para transmissão da 1ª Mostra de Teatro Comunitário, por redes de TV e para divulgação na mídia impressa e no blog do NUPEAC.

2. O transporte de cenários e equipe dos espetáculos da Mostra da sede do grupo até a cidade de Caconde, SP e vice-versa, é de responsabilidade do grupo selecionado, salvo sob, negociação prévia.

3. O transporte dos cenários e das companhias dentro da cidade de Caconde durante a respectiva apresentação da Mostra será de responsabilidade da comissão organizadora.

4. Os grupos selecionados para a Mostra terão acesso ao local da apresentação a partir das 13h do dia da apresentação, para montagem de cenários, ensaios gerais e o que mais for necessário.

Caconde 10 de junho de 2010


Realização

Em busca de um Teatro Popular e Comunitário

A definição de teatro, no geral, é o exercício que envolve a produção de textos dramatúrgicos, o ensaio de participantes, a produção e a apresentação de peças. Outro significado destina-se aos prédios e aos espaços alternativos aonde são representados espetáculos.
No início o teatro era uma manifestação do povo, feita pelo povo e para o povo. Em seguida, foi apossada pela classe dominante e tornou-se acessível a uma elite. Hoje, felizmente o teatro retorna às ruas, fábricas e entidades diversas contribuindo para a acessibilidade da diversidade social e cultural.
Em resistência a idéia de um teatro dominante está uma luta genuinamente popular. Popular, não na idéia de lotação dos edifícios teatrais e arte covardemente doutrinária, mas popular na concepção de “arte do povo, pelo povo e para o povo”.
Um dos maiores representantes deste lema é o grupo Teatro Popular União e Olho Vivo, que é considerado, segundo Augusto Boal (1931-2009), o mais antigo das Américas. Fundado em 1966, o TUOV (Teatro Popular União e Olho Vivo), completa em 2010, 44 anos de resistência a dominação cultural e continua lutando pela democratização da cultura tendo como objetivo fundamental: levar peças de teatro às comunidades periféricas e fomentar, por meio do debate e troca de experiências, a contribuição para a emancipação crítica e cultural das comunidades.
Uma das principais bandeiras de luta do Teatro Popular é resistir contra a imposição cultural de potências que querem dominar culturalmente países em desenvolvimento, como o Brasil. Este tipo de teatro diverge da televisão e do cinema e até mesmo do chamado “teatrão”, por ser sinônimo de transformação e levar ao público mensagens de liberdade e justiça social. O Teatro Popular promove um trabalho sério, de estética inteligível e de custo – quando houver - acessível ao povo.
O maior exemplos dessa luta foi o período da repressão militar, de 1964, em que o teatro foi um importante instrumento de resistência. Representantes como Plínio Marcos, Gianfrancesco Guarnieri e Dias Gomes foram fundamentais na luta contra a imposição da ditadura, em contrapartida o sistema estabeleceu uma censura implacável.
Ainda hoje, o Teatro Popular resiste à imposição dos espetáculos imperialistas, que tiveram êxito em Nova York e combate a tese colonialista de que “se é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil”. As produções invasivas são montagens suntuosas que não tem nada a ver com a realidade cultural, com a vida, as angústias, necessidades e alegrias do povo brasileiro.
Outra fonte inesgotável de resistência do Teatro Popular é desmistificar a idéia de que teatro não é para o povo, mesmo sabendo que a cultura é um bem inacessível às classes populares. Exemplo dessa segregação está na localização da maioria das salas localizadas nos grandes centros urbanos, e mesmo onde elas existem são centralizadas, impossibilitando o acesso do povo que reside na periferia e que depende de um sistema caótico de transporte público e seus horários problemáticos, o alto custo dos ingressos, sem contar o teor “intelectualizado” da maioria das encenações. Todos esses empecilhos procuram transformar o teatro em uma arte de elite.
Por não fazer uma arte do Sistema, o poder público impõe restrições para os grupos de Teatro Popular que encontram dificuldades para se manter. Um dos recursos utilizados pelo Teatro Popular União e Olho Vivo para driblar esta situação é a técnica Robin Hood (personagem que tomava dos ricos e distribuía aos pobres). Esta técnica possibilita ao TUOV vender o ingresso a um bom preço para clubes, prefeituras e secretarias de Cultura e esse dinheiro é investido nas apresentações nos bairros e na manutenção do grupo, na construção de cenários, figurinos, transporte, alimentação e iluminação; garantindo, assim, a acessibilidade dos moradores das comunidades carentes ao teatro.
Outro empecilho para a manutenção de grupos de Teatro Popular são as leis de incentivo (como a Roaunet), que privilegia determinados grupos e pessoas que muitas vezes investem em projetos corrosivos a cultura popular brasileira. São espetáculos que defendem ideais mercantilistas e ideológicas ou que traduzem um Brasil sem problemas sociais e que jamais investem em produções que falem da realidade das comunidades locais. Essas leis de incentivo acabam transformadas em instrumentos burocráticos, antidemocráticos, torna inacessível a participação da cultura popular, inviabiliza, muitas vezes a formação de artistas populares como atuantes do próprio processo estético e criativo e inabilita escritores, artistas plásticos, do circo, da capoeira e do Teatro Popular. César Vieira, do TUOV, acredita que “o Teatro Popular necessita do incentivo de programas permanentes, com projetos de continuidade e não apenas projetos que visem um festival, a inauguração de um teatro, mas dentro de uma política cultural diversificada e de continuidade, estando de acordo com as necessidades brasileiras de cada região. A cultura de São Luís do Maranhão, por exemplo, é completamente diferente da cultura de Porto Alegre, e tem de ser amparada dentro das suas necessidades”.
Recentemente, algumas iniciativas têm contribuído para a legitimação da cultura popular. Exemplo é o movimento Arte contra a Barbárie que, advindo do teatro, espalhou para as artes plásticas, o cinema e o circo. Na sua concepção é pregado que as atenções para o teatro não podem ser direcionadas somente aos grandes eventos, ou para pessoas privilegiadas econômica e culturalmente. Esse movimento fomenta a valorização da cultura participativa.

Asdrúbal Serrano